O Estado é a “organização dos meios políticos”; é a sistematização do processo predatório sobre um determinado território. O Estado provê um canal legal, ordenado e sistemático para a predação da propriedade privada; ele garante provisão certa, segura e relativamente “pacífica” para a casta parasítica na sociedade. O Estado nunca foi criado por um “contrato social”; ele sempre nasceu da conquista e da exploração. Um método de nascimento de um Estado pode ser ilustrado como segue: nas montanhas da “Ruritânia” do Sul, um grupo de bandidos se organiza para obter o controle físico do território, e finalmente o chefe do grupo se auto-proclama “Rei do governo soberano e independente da Ruritânia do Sul”; e, se ele e seus homens tiverem a força para manter tal domínio por algum tempo, pasmem!, um novo Estado terá se unido à “família de nações”, e os que antes eram meros bandidos terão se transformado na nobreza legítima do reino.Essas e outras questões são respondidas por Olavo de Carvalho neste livro, que reúne alguns de seus textos produzidos nos últimos anos. Mas devemos ler Olavo de Carvalho? Há duas respostas possíveis: a dos seus detratores, sempre negativa; e a dos que se recusam a aceitar o doutrinamento da Weltanschauung pós-moderna, que, amealhando adeptos entre liberais e esquerdistas, baseia-se num tripé corruptor: relativismo, hedonismo e ateísmo. Olavo sabe que, para uma efetiva resistência cultural, os que desejam se manter lúcidos devem possuir um corpo teórico consistente, capaz de apresentar respostas persuasivas ao mundo de falso desvanecimento do homem contemporâneo e de advogar em defesa da verdade, o valor mais vilipendiado nos dias atuais. Assim, frente aos ideólogos cujo objetivo é nos convencer de que princípios e valores são obstáculos à liberdade, Olavo denuncia a ditadura do relativismo – a arma que restou à esquerda diante do fracasso da ditadura do proletariado. E o faz com seu estilo característico, que lhe permite, como ele mesmo diz, “transitar livremente entre o discurso acadêmico e a voz do coração”, movido por seu objetivo “quase obsessivo: a busca do Supremo Bem”. Nada é pequeno neste livro. A resposta a certos polemistas transforma-se nos degraus que Olavo transpõe para ensinar arquitetura gótica ou recolocar a lógica como elemento acessório da produção filosófica. Desmonta Martial Guéroult, presta tributo à inesquecível figura de Stanislavs Ladusãns, rebate Peter Singer, Richard Dawkins e outros pseudoluminares. E o faz seguindo o método que propõe a seus alunos: espantar-se frente à realidade da experiência. Mas não só: Olavo de Carvalho nos recorda que não esquecer nossa condição mortal é o ponto de partida da investigação metafísica. Aqui, ele ultrapassa a filosofia – e assemelha-se aos mestres da espiritualidade monástica, que recomendam a reflexão sobre a própria morte para curar uma das mais nocivas doenças da alma: a acídia.
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Da: Revaluation Books, Exeter, Regno Unito
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